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Aí não se mexe!

01
Jun20

Eles hoje são os meus super-heróis!

Nunca tive super-heróis de banda desenhada. Quando era miúda a única banda desenhada que lia era o Tio Patinhas e a Mafaldinha e era quando dormia ao fim de semana no quarto da minha prima em casa dos meus avós (auge da minha felicidade).

Não tenho ídolos. Quer dizer, na verdade tenho um ou outro, mas nada do outro mundo. Talvez aquele jogador que nos marcou uma vida , aquele músico , o costume: Ronaldo, Figo, Robbie Williams. Quem não?!

Admiro os meus filhos e a resiliência deles. Eles são hoje os meus super-heróis! Sobretudo o Manuel, que é mais velho, apesar da sua loucura diária, que me deixa ao fim do dia esgotada. Não o estou sempre a elogiar, até porque o Manuel é o rei da birras.

A Maria Luísa é a boca do riso. É o acordar mais bonito desta casa. Apesar do que passou consegue trazer muita da calma aos nossos dias. Resumindo, os feitios são completamente diferentes.

A quarentena deles foi diferente de todas e da minha.

A minha começou ligeiramente antes da Maria luísa nascer. A do Manuel começou praticamente 1 mês e uma semana depois da irmã ter nascido (12/2019) devido ao VSR da irmã e posterior internamento dela. Foi forçado a ficar em casa para não passar mais “bichos” à criatura que tinha ainda tão poucas defesas e tinha acabado de sair do internamento. Felizmente passámos o Natal em casa! O Manuel teve "ordem de soltura" da pediatra dia 01/03/2020. De facto já se falava de covid19. Dia 06/03/2020 completou 2 anos e fez uma bronquiolite ligeira e começou a pandemia. Passado alguns dias entrámos em estado de emergência, em teletrabalho , em video-chamadas com amigos, família. Entrámos depois em estado de calamidade e depois quando as coisas começaram a acalmar agora em fase de desconfinamento. Portanto, aqui em casa o nosso "estado de emergência" durava desde dezembro, desde que a Luísa foi internada. O Manuel ia a rua sim nessa altura mas com cuidado. A partir de março deixou de ir. Entrámos não só em estado de emergência como em confinamento profundo. Posso precisar que foram 37 dias seguidos sem ir à rua em que só ia colocar o lixo e nem isso era considerado rua porque o lixo dentro do prédio. Foi posteriormente a uma urgência e continuou a sua quarentena.

Quando foi decretado estado de calamidade é que comecei a ir com ele à rua mas sempre, sempre nas minhas cavalitas dar uma volta ao quarteirão ou até ao cimo da rua e voltava, coisa que durava pouco. A primeira vez que saiu depois da quarentena e chegou a casa abraçou-me com uma força que nunca mais irei esquecer, e disse “oh mãe !” .

A Maria Luísa como é mais nova , mais bebé, não sofreu tanto, mas ficou "bicho do mato". Estranha pessoas novas. Saía única e simplesmente para as vacinas, urgências e uma consulta de rotina. Mesmo assim, conseguiu uma otite, e uma pneumonia viral em plena pandemia. Com o fim do estado de emergência , início do estado de calamidade tivemos a visita da tia . Ela estranhou muito e chorou, sobretudo com a tia que não a via tanto via FaceTime. Sim porque valham as tecnologias! Mas foi-se habituando aos poucos às “novas” caras que não são novas caras. São os que estiveram sempre connosco.

Hoje os meus filhos são os meus super heróis porque aguentaram isto que nem “gente grande” : sem furar quarentena, o estado de emergência, o estado de calamidade, o desconfinamento, e até regras de higiene. O Manuel recusa a máscara mas quando sai vem entregar-me a minha e lava as mãos dele em álcool e entrega-me o álcool para eu lavar as minhas.

Ofereci aos meus filhos muitas vezes quando vinha do supermercado um presente que o vírus lhes mandava. Foi assim, que ia tentando à medida que o tempo passava transmitir o que era o virus, o que eram as regras de estarmos fechados em casa a 4 muito tempo e o porquê.

Era uma felicidade cada presente recebido e eu sentia que  lhes amenizava a liberdade que lhes tinha sido roubada. Percebi tambem que juntos somos muito mais fortes hoje.

Feliz dia da criança meus amores, um beijinho da mãe.

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Não quero birras, mas todos temos as nossas!
Este blogue fala das birras de uma mãe, de um pai, de um filho, de uma avó (e restante família) e fala das birras da vida em geral, da maternidade e das birras da sociedade.

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